Tráfico de animais

No Brasil é ilegal a captura de papagaio-verdadeiro na natureza para abastecer o comércio de animais de estimação. O tráfico de animais silvestres é uma realidade em Mato Grosso do Sul e em vários outros estados brasileiros, o que preocupa as autoridades governamentais.

Em Mato Grosso do Sul já foram apreendidos pela fiscalização ambiental, desde 1988, cerca de 6.500 filhotes, sendo 899 filhotes apreendidos apenas em 2008 (fonte: IMASUL/CRAS MS)

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Estima-se que o número real de aves extraídas de seu ambiente natural deva ter excedido duas ou três vezes aqueles registrados nas apreensões. Em levantamentos realizados em residências de dois municípios de Mato Grosso e três municípios de Mato Grosso do Sul, o papagaio-verdadeiro foi o psitacídeo mais encontrado. Em São Paulo, desde 1998, o papagaio-verdadeiro está na lista estadual da fauna ameaçada de extinção, na categoria “vulnerável”. Porém, em Mato Grosso do Sul seu status ainda não foi definido.

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O intenso tráfico dessa espécie, em toda a sua área de distribuição natural, chama a atenção de ambientalistas e autoridades responsáveis pela gestão da fauna no Brasil. Consequentemente essa espécie tem sido muito frequente em centros de triagens e instituições autorizadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). Algumas regiões são conhecidamente ‘fornecedoras’ desses animais (p.ex. Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Bahia) e outras ‘receptoras’, com destino final o consumo desses animais, nacional e internacionalmente (p.ex. São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais). A falta de estrutura da fiscalização, a ausência de sistematização sobre as estatísticas do tráfico e a não interação entre a maioria das instituições (Polícia Ambiental, IBAMA e OEMA), tem levado a uma menor eficiência nas ações de fiscalização contra o tráfico de papagaios. Segundo dados da Coordenação de Gestão do Uso de Espécies da Fauna (COEFA/IBAMA 2008), cerca de 1.197 papagaios foram recepcionados (apreensões, entregas voluntárias, recolhimentos e indeterminadas) entre 2004 e 2006. Esses registros se referem a 26 municípios de 17 estados brasileiros, na maioria (88%) localizados nas regiões de distribuição natural da espécie. Certamente o número é muito maior, devido à dificuldade de identificação e/ou registro adequado/interligado entre as instituições que recebem esses animais. Na estatística da COEFA/IBAMA (2008), por exemplo, não está incluído o número de papagaios-verdadeiros recepcionados pelo Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS), que é vinculado ao Governo do Estado de Mato Grosso do Sul.

A retirada de um grande número de filhotes papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva) na natureza para abastecer o comércio ilegal de animais de estimação se deve, principalmente, a sua fama de ser o “melhor falador”, por isso inclusive recebe o nome de “papagaio-verdadeiro”. Seu pequeno tamanho, coloração vistosa e, principalmente, sua habilidade para aprender a imitar a fala humana tornam essa espécie de papagaio alvo de capturas ilegais na natureza. O problema é que criar um papagaio retirado da natureza, além de ilegal, pode contribuir para a extinção da espécie.

A retirada de ovos e filhotes de papagaio-verdadeiro na maioria das vezes sem penas e com os olhos fechados abastecem o comércio ilegal de animais de estimação, aliada a destruição dos ninhos no momento da captura e a perda de ambientes naturais utilizados para alimentação e reprodução por desmatamento e queimada de ambientes naturais da espécie, podem levar a espécie à extinção. Outro agravante é que essa pressão sobre as populações naturais de papagaio-verdadeiro acontece todos os anos e em toda a sua área de distribuição natural.

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Uma das principais ações do projeto papagaio-verdadeiro é mapear o tráfico da fauna nativa do Pantanal. Este diagnóstico vai reunir informações das instituições de fiscalização e controle (federal, estadual e municipal), tanto do MS quanto do MT, além de contar com o apoio de ONGs e instituições do Paraguai e Bolívia.
Uma forma importante para preservação é denunciar o tráfico de animais silvestres e outros crimes ambientais pela Linha Verde do IBAMA – 0800 61 80 80. A ligação é gratuita de qualquer lugar do Brasil.
Mas, o fundamental, é não contribuir para o tráfico da espécie, ou seja, não comprar filhotes capturados ilegalmente na natureza. Certamente eles não viverão “felizes”, ao serem privados da liberdade e você estará fazendo parte da rede que levará a espécie para extinção.